Trump quer enviar Jihadistas com passaporte Helvético de volta para a Suíça.

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Os EUA propuseram oficialmente à Confederação Helvética, a devolução de Jihadistas com passaportes suíços estacionados na Síria. O Conselho Federal rejeitou a proposta do presidente norte-americano.

Essa foi a primeira participação política tomada por Karin Keller-Sutter (FDP) como Ministra da Justiça. O Conselho Federal decidiu por acatar o pedido da Ministra, e não vai repatriar os combatentes do Estado islâmico que possuem passaporte suíço. Afetados por esta decisão histórica, estão cerca de vinte jihadistas suíços atualmente no norte da Síria, alguns em prisões curdas. O que acontecerá com eles depois que as tropas americanas se retirarem, ninguém sabe ao certo.

Porem, há uma possibilidade de isenção para as crianças afetadas: para elas, o Conselho Federal quer pelo menos analisar uma possível repatriação, caso o “bem-estar da criança ou adolescente” exigir isso. Segundo o Der Bund, seis dos vinte guerrilheiros terroristas são menores de idade. Em parte, eles nasceram na guerra civil da Síria, em parte sequestrada por um dos pais.

Contra a vontade de Trump

O que o Conselho Federal Suíço esconde em seu comunicado a imprensa: com sua decisão, ele diverge com o governo militarista de Donald Trump. Como era previamente desconhecido, em julho de 2018, Trump fez uma demarcação formal ao Conselho Federal exigindo que os jihadistas suíços fossem resgatados. Em outros lugares da Europa houve intervenções semelhantes dos EUA.

Os EUA alertaram os vizinhos europeus, que os curdos não conseguiriam combater os milhares de guerrilheiros do EI para sempre. Mesmo os especialistas independentes da Síria temem que os jihadistas caiam nas mãos do regime de Assad, do exército turco ou de outras forças menos certificadas.

Apoio ao repatriamento – quid pro quo

Por essas razões, Simonetta Sommaruga (SP), antecessora de Keller-Sutter como Ministra da Justiça, quis trazer de volta os combatentes sírios e julgá-los aqui. Mas Keller-Sutter está buscando outra estratégia. A prioridade máxima, segundo a declaração oficial do Conselho Federal, era “a segurança da Suíça e a proteção de sua população”.

Keller-Sutter argumentou recentemente na Swiss Radio RTS que a aplicação da lei suíça também era importante. “Podemos colocar o suíço em perigo para evacuar as pessoas que foram voluntariamente à guerra?”, Perguntou Keller-Sutter naquela época. No entanto, não está claro se as forças policiais suíças teriam que viajar para a Síria para a repatriação dos combatentes extremistas que possuem o passaporte vermelho. Em julho de 2018, os EUA também ofereceram apoio à Suíça na eventual operação de resgate – mediante uma taxa.

Preocupações de Sommaruga

Mesmo Keller-Sutter e a maioria do Conselho Federal não querem que os combatentes suíços que serviram os Estado islâmico escapem sem penalidade alguma. No entanto, eles dependem de processos “na cena do crime, de acordo com os padrões internacionais” – isto é, na Síria ou no Iraque. Eles devem ser julgados lá por um tribunal local ou por um tribunal internacional especial. Se tal existirá, não sabemos.

Sommaruga confrontou Keller-Sutter em um relatório com questões críticas:

– O que o Conselho Federal faz se os jihadistas suíços nunca podem ser julgados no local?
– O que acontece se libertados e voltarem para a Suíça sem reconhecimento?
– Não é contraditório que a Suíça exija que outros países retirem seus requerentes de asilo e seus criminosos, mas a Suíça mesmo, não retire seus próprios criminosos?

A maioria do Conselho Federal (Bundesrat) não foi dissuadida por essas preocupações. A polícia e as autoridades fariam qualquer coisa para impedir a entrada descontrolada dos combatentes do EI na Suíça. Keller-Sutter supostamente também rebateu a declarações de Sommaruga: Se os combatentes do EI voltassem voluntariamente para a Suíça, eles não seriam rejeitados. A Constituição Federal concede a todo cidadão suíço o direito de retornar a qualquer momento.

Fonte: Der Bund

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