Em defesa do plástico

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Recentemente escrevi aqui um artigo em defesa de um ambientalismo racional, longe de paixões que possam nos cegar e nos afastar da verdade, o referido texto concentrou-se sobretudo na devoção messiânica ao redor da menina Gretha Thunberg, só que existe um outro aspecto do ambientalismo religioso que precisa ser combatido, e ele é a demonização do plástico, um dos dogmas mais patentes da onda neoambientalista.

Em primeiro lugar é preciso deixar bem claro que, na data de hoje, é absolutamente impossível abolir o uso do plástico, pois este, no que tange a proteção de alimentos para consumo humano é o que há de melhor no mercado. E com “o que há de melhor” quero dizer que as embalagens plásticas têm um baixo custo e protegem bem os alimentos, ou seja, através do uso do plástico você garante que pessoas com baixo poder aquisitivo tenham acesso a alimentos de qualidade.

Algumas pessoas consideram que a embalagem de plástico é supérflua e que a “embalagem natural dos alimentos” é capaz de proteger os alimentos, o que é uma falácia emotiva, do contrário nossa agricultura não seria solidificada à base de agrotóxicos (assunto polêmico pra outra postagem).

Por essa lógica neoambientalista as simples cascas e defensivos naturais deveriam bastar. Não bastam!

O Folclore Ambiental explicado.

Outro ponto absolutamente ignorado é que o consumo de alimentos não se dá tão somente de forma local, e se os americanos, europeus e asiáticos querem comer frutas brasileiras — ou se os brasileiros querem comer frutas de seus vizinhos —, elas precisam ser embaladas em plástico.

É só lavar, colocar o molho de sua preferência e ser feliz.
Saúde em embalagens plásticas, é nisso que eu acredito.

O plástico nos permite evitar desperdícios, o que contribui para o meio-ambiente e é por isso que precisamos de mais plástico (desde que 100% reciclável) e não menos.

Uma vez que você consegue diminuir o número de alimentos estragados em translados, você alimenta mais pessoas e desperdiça menos, e quanto mais alimentos conseguir fazer chegar até os consumidores, melhor será a qualidade de vida destes — logo, melhorar a qualidade de vida das pessoas demanda muito plástico.

É muito cômodo — e faz muito bem à sua saúde — passar no supermercado e escolher uma salada com alimentos inteiramente descascados, você pode antes de comprar ver a qualidade dos legumes que irá consumir. Isso evita que as pessoas coloquem seu dinheiro em alimentos podres e permite que pessoas que possuem uma vida corrida tenham uma alimentação balanceada.

Embalagens plásticas aumentam também os padrões de qualidade do mercado de alimentos, afinal, as empresas terão que proporcionar sempre alimentos em excelente qualidade para o consumo. Sem mencionar que pessoas com mobilidade reduzida e dificuldade em operar objetos cortantes poderão também desfrutar de frutas e legumes picadinhos e em perfeitas condições para o consumo.

PET bottle collection in a PET recycling container at the motorway service area “My Stop Gotthard”, pictured on April 10, 2013, in Schattdorf in the canton of Uri. (KEYSTONE/Christian Beutler) PET-Recycling an einem Container bei der Raststaette “My Stop Gotthard”, aufgenommen am 10. April 2013 in Schattdorf im Kanton Uri. (KEYSTONE/Christian Beutler)

Em segundo é preciso deixar claro de que o plástico, apesar de barato como já fora dito, é muito durável, e é por isso que o seu descarte irregular é um problema grave. Veja bem, não é o plástico em si que é um problema, mas o seu descarte irregular.

Aliás, não é somente o descarte irregular de plástico que é um problema, mas também o de materiais químicos e hospitalares, de baterias e pilhas, de materiais eletrônicos (carregadores e celulares), de equipamentos médicos, etc. Todos estes podem não só poluir o meio-ambiente, como também causar danos à nossa própria saúde.

Alguns materiais defendidos como alternativas ao plástico, como o vidro, são 100% recicláveis, o que é ignorado por tais defensores é que o plástico pode ser produzido para ser 100% reciclável também. E, longe de ser algo que só existe em laboratórios, tais embalagens já estão no mercado. A Coca-Cola, que é acusada de ser a maior poluidora dos mares, como se os banhistas sujões não fossem responsáveis pelo seu próprio lixo, já usa esse tipo de plástico em alguns países (Cuidado, alemão!).

E não pense que eu sou algum tipo de idealista que acha que todo mundo vai aprender a descartar lixo corretamente, muito pelo contrário, eu sou aquele que mais desacredita nisto, e afirmo: a tragédia dos comuns é inevitável no mundo em que vivemos.

Amazonense de 7 anos com sua prótese feita com plástico biodegradável (Projeto Mão3D).

No Brasil, em shows e eventos, quantas latinhas são jogadas no chão? Incontáveis! E ainda assim 97% das latinhas de alumínio são reutilizadas pela industria. Na Suíça 83% das garrafas de plástico são recicladas, e não é impossível que chegue-se a um número ainda maior, o mercado da reciclagem só tende a crescer sobretudo se tiverem insumos a tratar.

Então longe das paixonites como “árvores de natal feitas de pet”, que inevitavelmente viram lixo, e medidas populistas como a proibição do plástico, há um mundo de tecnologia empenhado em construir uma cadeia de desenvolvimento sustentável.

Não atrapalhe.

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