O problema da falta de integridade moral

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A polêmica da semana, ao que tudo indica, trata-se de uma matéria exibida no Fantástico da Rede Globo onde o Dr. Drauzio Varella visita uma cadeia e apresenta ao público o drama de uma trans chamada Suzy, cujo o nome de registro/batismo é Rafael Tadeu de Oliveira dos Santos, e que vivia até então um drama de solidão. A matéria tinha a clara intenção de humanizar a detenta, mas implicou em uma rejeição muito forte do público após se descobrir que Suzy foi sentenciada como culpada por cometer violência sexual contra um menor, cometendo homicídio contra este em seguida.

Aqueles que se dizem mais à esquerda, que possuem um viés humanistas — e que são adeptos da empatia sem limites —, saíram em defesa do Dr. Drauzio Varella, pois para eles todos têm o direito de ser ressocializados e de receberem empatia independente do crime que fora cometido.

Mas a verdade é que, se o Drauzio Varella fosse abraçar o assassino da Marielle Franco, estas mesmas pessoas estariam na posição contrária da que estão.

Bandeira com o mote principal daqueles que querem a punição dos culpados pela morte de Marielle Franco.

Por outro lado, aqueles que se sentiram ofendidos com a reportagem da TV Globo se dizem “de direita cristã”, porém o que Jesus faria na ocasião seria justamente o que o Dr. Drauzio Varella fez.

Jesus não julgaria e teria empatia e compaixão por mais um pecador no meio de milhares de pecadores.

Não julgar, oferecer a outra face a quem cometeu uma agressão e dar a túnica àquele que te roubou a capa são algumas das passagens bíblicas que denotam qual a postura moral de Jesus.

Ele diz que se deve também ter compaixão e não os oferecer nenhum tipo de retaliação moral, mas sim amor e perdão — afinal, o criminoso também é o seu próximo e você deve amá-lo como a si mesmo, pois isso te aproximará de Deus.

Entretanto os cristãos da direita brasileira, ao que parece, entendem mais do cristianismo que o próprio Cristo, ou pelo menos escolhem qual parte da moral cristã devem seguir e qual não.

É por obra do próprio Cristo que a Lei de Talião foi “revogada”. O sermão moral de Jesus sobre como a retaliação de crimes era incompatível com sua moral teve grande peso na evolução — ou involução — das leis até chegarmos ao viés humanista que temos hoje.

O Dr. Drauzio por sua vez escapou pela tangente afirmando que “não era juiz” e que “como médico, fez um juramento”, entretanto Suzy não era/é sua paciente e seu juramento profissional não lhe impede de ter julgamentos morais em foro pessoal. A evasiva do Dr. Drauzio é uma demonstração de covardia moral pois todos nós estamos o tempo todo fazendo julgamentos morais, todos nós julgamos, por exemplo, como devemos tratar uma criança ou idoso(a) que precisa de ajuda, quais amigos são bons ou não, quais escolhas nos cabem, por quais caminhos trilhamos nossa vida, etc. O que é certo ou errado nos são questionamentos constantes.

Não existe livre arbítrio sem escolhas morais e fazemos escolhas o tempo inteiro. Não fazer escolhas e se deixar levar (pela escolha da redação, por exemplo) é também uma escolha. É delegar a outros algo que é de sua responsabilidade.

Que crimes, ou criminosos, devemos tolerar?

A resposta é nenhum.

Se não devemos ter compaixão com corruptos que roubam dinheiro dos pobres — um crime a priori financeiro, mas que pode ter consequências graves —, por que teríamos de ter algum tipo de empatia com assassinos, estupradores, etc?

Se uma sociedade que tolera moralmente corruptos padece de males incalculáveis, o que acontece com sociedades que toleram estupros coletivos, violência em nome da religião, e mesmo assassinato de inocentes?

Eu digo: Barbárie!

Nós temos alguns exemplos de países que toleram tais crimes e temos a plena certeza de que este não é o caminho que queremos trilhar.

Temos a plena certeza que a complacência moral com crimes é o caminho do atraso e da destruição. E essa questão vai muito além de esquerda ou direita, está fundamentalmente ligada aos valores que queremos preservar, pois como disse Ayn Rand, “sentir pena dos culpados é trair os inocentes”.

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