O Coronavírus (NCOVID-19) é um problema econômico.

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As estatísticas não me deixam mentir, a cada 100 pessoas infectadas com o novo Coronavírus apenas 20 precisam de cuidados médicos-hospitalares, destes 20 casos apenas 5 serão graves ao ponto de o paciente ir parar na UTI por conta de complicações respiratórias, e destes 5 apenas 2 correm de fato risco de morte. Se você parar pra analisar friamente, apesar de ser tido como aproximadamente 20 vezes mais letal que uma gripe comum — que tem letalidade baixíssima em termos percentuais —, o NCOVID-19 é menos letal que o [coronavírus] SARS (8%) e até menos letal que a Dengue (3,8%).

Então qual é de fato o problema?

O problema está na primeira lei econômica: os recursos (ou bens econômicos) são escassos.

Ao contrário do que as crianças e socialistas acreditam, não tem como todos terem acesso a tudo ao mesmo tempo, sobretudo no que tange a respeito de leitos hospitalares. E é este o principal ponto forte do Coronavírus: ele tem a capacidade de se espalhar maior do quê [a capacidade] de tratarmos todos os infectados. Ou seja, o vírus se multiplicava e infectava muito mais rápido do quê a China construíra hospitais em tempo recorde. Parece pouco, mas 20% da população de um país precisando de leitos ao mesmo tempo é muita coisa.

E este não é o único problema, há também um ponto fraco nos humanos que favorece o NCOVID-19 e ele não é biológico: trata-se da forma como as pessoas se organizaram como sociedade ao longo dos anos.

Na maior parte das grandes metrópoles — graças aos “planos gestores urbanísticos” — os centros comerciais ficam para um lado e as moradias para outro, o que nos obriga a usar transportes de massa. Transportes estes que são excelentes para que vírus possam se espalhar rapidamente.

Some-se a isto o fato de termos [quase] todos nós horários de trabalho iguais, começando e terminando quase sempre em mesmo horário, gerando uma movimentação volumosa em determinados momentos do dia como se estivéssemos em 1820 — lá nos primórdios da revolução industrial.

Segunda de manhã em uma metrópole qualquer.

Hoje boa parte da produção é terceirizada, desde as solas do sapato até os componentes eletrônicos de um celular, então por que temos que trabalhar todos no mesmo horário como quando era tudo feito na mesma fábrica e tinha uma linha de montagem interminável? As peças estão lá esperando por você, chegando às 8 ou às 10, elas estarão lá. Isso sem mencionar aqueles que não trabalham em fábricas.

Essa cultura do horário de trabalho forçado está tão impregnada à sociedade que companhias aereas estão sendo obrigadas por lei a fazer vôos sem passageiros — a despeito dos impactos ambientais e do desperdício de combustíveis.

Tanto as moradias quanto a rotina de trabalho estão limitadas por força de lei e pouco podemos fazer contra elas diante de uma epidemia. É por isso que dentre as recomendações está a de ficar em casa em caso de suspeita de contração do vírus. É o que tem pra hoje!

Neste ponto as cidades europeias pequenas levam vantagem, pois elas são mais heterogêneas e bastaria haver um rodizio de pessoas e limites de compras pra que todos pudessem fazer suas compras sem grandes aglomerações. Entretanto elas possuem a desvantagem de estarem na Europa, onde existe a livre-circulação — principalmente de trabalhadores fronteiriços —, e basta que um país seja contaminado para que haja disseminação por todo o bloco.

Ainda que hajam tentativas de evitar que pessoas contaminadas deixem o país A em direção ao país B, existe a transmissão assintomática, através de superfícies em meios de transportes compartilhados, como os trens, e de “objetos de uso comum”, como carrinhos de supermercado.

Em suma, como temos uma má alocação de recursos econômicos, estamos mais vulneráveis.

A China e os preços “absurdos” das máscaras, ironicamente, são a nossa salvação.

A China percebeu que não conseguiria parar a disseminação do NCOVID-19 construindo hospitais. Os hospitais eram/são fundamentais pra tratar quem já estava/está doente e tinha/tem a real necessidade de um leito, mas para evitar a disseminação do vírus existem somente duas formas de agir: A) restringindo o acesso a áreas públicas e B) sugerindo que não houvesse aglomerações em ambientes privados — metodologia seguida por todos os países com muitos casos.

A ausência de dados — e uma má vontade da mídia em explicar o real problema — levou as pessoas a cometerem tolices como a comprarem caixas e caixas de máscaras deixando as pessoas que realmente precisam, os infectados, sem elas — o que ironicamente deixou os não-infectados em uma situação de vulnerabilidade maior.

Isso porque é absolutamente inútil uma pessoa não infectada usar máscara cirúrgica. Repito: absolutamente inútil. Lavar as mãos a todo instante e evitar grandes aglomerações é a única proteção realmente eficaz. Os profissionais da saúde que estão lidando diretamente com infectados usam uma máscara padrão N95 e não essa comum, então não dá nem para se dizer que eles foram diretamente prejudicados.

Portanto fica claro que a corrida por máscaras foi uma demanda artificial (injustificada) que fez os preços subirem vertiginosamente, e que não é culpa dos capitalistas malvadões querendo lucrar com a miséria da humanidade, mas sim por contra de outra lei econômica: a lei da oferta e demanda.

O Coronavírus não causa quase dano algum em crianças, mas você deixaria o(a) seu/sua filho(a) sem uma?

E não somente os preços das máscaras subiram, mas também o do álcool gel e, acredite, precisa ser assim.

Quando um preço sobe significa que os produtores precisam produzir mais daquilo para atender a demanda, o fato das pessoas estarem pagando caro incentiva mais pessoas a produzirem e enviarem estes recursos para onde a demanda é maior (ou seja, onde há mais iminência de uma epidemia), o que implica em muitos fabricantes enviando produtos até que a oferta seja suficiente pra que os preços voltem ao patamar normal.

Tabelar o preço do álcool gel como fez a Itália é garantir que nenhum produtor vá mandar pra lá, pois o produtor vai preferir atender a demanda do seu próprio país — afinal, ele não tem lucro extra algum em enviar a outro país ao invés de deixar no seu.

A mão invisível de Adam Smith não é um conceito exotérico como imagina o estudante da universidade federal, pois assim como surgem bares ao redor das universidades para atender as demandas deles, produtores irão atender demandas de outras pessoas sem que seja preciso intervenção estatal.

E aqui, na alta da demanda, entra a China com seu golpe de mestre que já pode ser observado nas bolsas mundiais.

A China ao controlar a circulação de pessoas como nenhum outro país, está conseguindo I) recuperar a sua força de trabalho; II) manter suas empresas abertas antes que quebrem como algumas europeias que já estão em falência — por isso países europeus e os EUA querem tirar impostos das suas empresas —; e, pra completar, III) a China construiu grandes complexos para produção de insumos para tratar o Coronavírus, e agora, com a ameaça sendo controlada em seu território, está pronta pra atender o mundo todo.

Malditos asiáticos, mal posso ver seus movimentos!

Como eu disse desde o início: é tudo uma questão econômica.

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