Por que Bolsonaro finge ignorar a COVID-19?

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O pronunciamento oficial do presidente Jair Bolsonaro na data de ontem (24/03/2020) surpreendeu até mesmo os seus seguidores mais fiéis por tamanha desconexão com a realidade.

No discurso veiculado em TV aberta, dentre inúmeras barbaridades, o presidente classificou a COVID-19 como uma mera “gripezinha” e orientou que trabalhadores voltassem aos seus postos de trabalho. A justificativa do presidente é que o impacto econômico causará um caos social no país.

A verdade é que Bolsonaro ignora que há também impactos econômicos ocasionados por milhões de civis doentes e até mortos — e ignora tal impacto intencionalmente.

Nós hoje vivemos um terceiro turno eleitoral, basta ver que assim que o Bolsonaro profana alguma tolice todos seus desafetos políticos tentam parecer “menos pior” que ele — e não pensem que estes desafetos estão de fato preocupados com o povo, trata-se também de oportunismo puro, o que na outra ponta estimula os apoiadores do presidente a se radicalizarem cada vez mais. É um jogo político de quem faz mais pessoas de trouxa.

É doloroso pra todos nós assumirmos que, já em Março, o ano tenha acabado. Não haverão Olimpíadas, não haverão eleições, concursos públicos, provavelmente não haverá ENEM, as suas viagens de férias serão adiadas por conta das férias coletivas, aquele financiamento que você queria fazer no meio do ano vai ter que aguardar, talvez você tenha redução de salário, talvez perca o emprego, seus estudos poderão ser interrompidos, etc.

Resumidamente: o ano está perdido pra quase todos nós e na economia não vai ser diferente.

E, como um impacto econômico negativo é ruim pra imagem do presidente e de sua antecipada campanha eleitoral, para ele é melhor deixar todo o sistema colapsar independentemente de quantas pessoas pereçam — o que seria irresponsavelmente conveniente pro regime geral da previdência.

Bolsonaro, munido de falácias tenta ainda argumentar que o Brasil “não é a Itália“, alegando a diferença climática e a população de idosos. O Brasil não é mesmo a Itália nestes pontos, mas também não é Itália em recursos médicos hospitalares, em saneamento básico, em produtividade, em riqueza, etc, etc.

Colocando todas as variáveis na balança, o Brasil certamente encontra-se em desvantagem. A Itália não tem, por exemplo, uma “favela da Rocinha” — com saneamento básico zero — para se preocupar.

É preciso, a despeito de devaneios políticos, aceitar a realidade dos fatos e os prejuízos que nos foram imputados pelo COVID-19.

A sua vida não volta ao normal amanhã, nem na semana que vem.
Fique em casa.

*O que você pode fazer para não ter um ano totalmente perdido é fazer economias, aproveitar o tempo com a família, estudar e tocar projetos pessoais que estão na gaveta.

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