O mito do sacrifício pela pátria

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Se você pagou a internet este mês já sabe o que está acontecendo na cúpula do governo do presidente Jair Bolsonaro, mas se não sabe, aqui vai uma síntese. Sérgio Moro, o ministro mais bem avaliado, jogou Jair Bolsonaro nas cordas o acusando de uma série de crimes, entre eles de responsabilidade ao [tentar] interferir no comando da Polícia Federal, o golpe foi tão forte que a única reação de defesa esboçada pelo Bolsonaro foi enumerar uma série de fatos desconexos como a falsidade ideológica de alguns familiares, o fato de o filho aparentemente não ser nenhum pouco conversador e ter uma vida pregressa (pegando metade do condomínio) e o aquecedor da piscina olímpica do Alvorada(??).

Dentre a militância bolsonarista, ou do que restou dela já que não há botes para todos, correm alguns motes tais como “o Moro só pensou em si mesmo e não no Brasil”.

Em primeiro lugar me espanta que crianças de 12 anos estejam tão envoltas em debates políticos, pois se você acredita que alguém “vai se sacrificar” em nome do coletivo em detrimento de questões pessoais, você tem idade mental de 12 anos. Em segundo, fica claro que quem afirma tal tipo de coisa, com o perdão do trocadilho, está em busca de um Messias que se sacrifique para redimir todos os pecados da humanidade.

O Sérgio Moro agiu esse tempo todo pensando na sua carreira? Sem dúvidas. Mas e o Bolsonaro? Ao interferir na Policia Federal, está fazendo isso pelo bem do Brasil? Ao se incomodar o protagonismo do Moro, Guedes e Mandetta? Ao obrigar o Ministro da Saúde, diante de uma pandemia, a participar de seu pronunciamento oficial?

A visão infantil do brasileiro sobre como funciona a política explica o Brasil.

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