União Europeia pode confiscar as vacinas

Havia uma certa tranquilidade no ar no que diz respeito a relação da Suíça com a União Europeia. O pais helvético possuía uma isenção do chamado “requisito de licença de exportação” para transações e importações com o grupo vizinho. Com este acesso privilegiado, a Suíça conseguiu obter até doses da vacina contra o Covid-19, de países da UE mesmo sem a autorização formal do bloco. A situação pode ter mudado.

Desde quarta-feira (31), no entanto, novas regras de exportação estão em vigor: Ao todo 17 países tiveram seus privilégios cancelados sem qualquer cerimônia – incluindo a Suíça. Se um país compra vacinas, mas não as exporta, a União Europeia pode confiscar a substância. Além disso, as exportações para países que têm uma taxa de vacinação, significativamente mais alta do que a da UE, devem ser proibidas.

Enquanto isso na capital, o embaixador da UE Petros Mavromichalis, foi procurado para dar explicações nos bastidores. A diplomata e secretaria de Estado Lívia Leu, recebeu o embaixador da UE “para uma reunião” que foi confirmada pelo Ministério da Economia. “A Suíça exige o cancelamento da exigência de licença de exportação, dos bloqueios de importação e que os ingredientes ativos necessários para a produção da vacina Covid-19 não sejam confiscados.”

A Suíça está preparada para intervir diretamente e negociar com os estados-membros da UE individualmente. Tudo isso para garantir que não haja atrasos nas cadeias de abastecimento para a Suíça

O pano de fundo atrás da questão é a disputa comercial entre Bruxelas e a Grã-Bretanha, que a mídia no Reino Unido chama de “guerra da vacinação”. A Suíça agora pode se tornar uma vítima dessa rivalidade. “Quanto mais rápido e eficaz a política de vacinação na Suíça caminha, maior será o risco de o país ser sancionado pela UE com restrições de entrega.

Por que?

A União Europeia encontra-se à beira de uma guerra comercial com o Reino Unido, depois que autoridades em Bruxelas disseram que poderiam bloquear a exportação de vacinas AstraZeneca para a Grã-Bretanha.

Durante o fim-de-semana, vieram ameaças de retaliação de Londres. O descontentamento é evidente e as autoridades londrinas consideram os comentários de alguns líderes europeus sobre a vacina, imprudentes – vacina que foi desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford.

O clima esquentou no domingo, quando um representante do governo inglês disse à Bloomberg que as vacinas da AstraZeneca produzidas na União Europeia, deveriam ser reservadas para os estados-membros da UE, devido aos seus esforços para serem produzidas.

Apesar dos esforços dos diplomatas, o governo suíço teme atrasos de abastecimento. Entre os políticos especialistas da área da saúde, fala-se em “examinar medidas retaliatórias.”

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